Sexta-feira, 14/08/2026
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EUA ampliam cooperação militar e cibernética contra narcotráfico na América Latina

Colômbia, Peru e Argentina firmam acordos de cooperação com Washington, enquanto Trump autoriza uso de empresas privadas em operações cibernéticas contra o crime organizado, incluindo PCC e Comando Vermelho, classificados como organizações terroristas pelos EUA.

EUA ampliam cooperação militar e cibernética contra narcotráfico na América Latina

O governo dos Estados Unidos intensificou nos últimos dias uma série de medidas de combate ao narcotráfico e a organizações classificadas por Washington como terroristas na América Latina, segundo cobertura do programa Jornal da Oeste. As ações incluem acordos de cooperação militar e de inteligência com Colômbia, Peru e Argentina, além da autorização para uso de empresas privadas em operações cibernéticas contra grupos criminosos.

A Colômbia formalizou sua entrada no chamado "Escudo das Américas", iniciativa que passa a permitir a atuação de tropas americanas em conjunto com o exército colombiano no combate ao narcotráfico no país. O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, viajou em seguida ao Panamá, onde afirmou, segundo o programa, que uma opção militar para depor o governo cubano segue sendo considerada pelos Estados Unidos.

No Peru, o governo da presidente Dina Boluarte firmou parceria com o FBI para cooperação no combate ao narcotráfico, incluindo compartilhamento de informações, tecnologia e treinamento com as autoridades peruanas. Já a Argentina anunciou, em conjunto com a embaixada americana em Buenos Aires, a realização de um fórum internacional sobre combate ao narcotráfico na próxima semana na capital argentina, com expectativa de participação de representantes de cerca de 100 países e entre 300 e 600 observadores, no que seria a maior edição do evento, realizado anualmente há quatro anos.

O presidente Donald Trump também assinou um documento que autoriza agências federais americanas, como FBI, CIA e DEA, a contratar empresas privadas para realizar operações cibernéticas contra organizações criminosas, incluindo ataques a dispositivos eletrônicos de suspeitos. A medida ocorre após o governo americano classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que, segundo analistas ouvidos pelo programa, amplia as possibilidades de investigação sobre essas facções por parte de agências dos Estados Unidos.

No mesmo período, a ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, voltou a ser tema de repercussão após divulgar um vídeo em homenagem a Fidel Castro, chamando o ex-líder cubano de "comandante" e descrevendo-o como referência de sua juventude política. A publicação foi seguida de agradecimento público por parte da embaixada de Cuba no Brasil. Rousseff também participou de uma reunião com o chefe do Banco Central do Irã, no contexto de tratativas para uma possível adesão iraniana ao banco dos Brics. Segundo comentaristas do programa, essa aproximação poderia, no futuro, colocar o nome de Rousseff na lista de possíveis sancionados pelos Estados Unidos, dado que o governo americano acusa o Irã de fornecer apoio logístico e financeiro a grupos classificados como terroristas — trata-se, no entanto, de uma hipótese levantada pelos analistas, não de uma medida efetivamente anunciada pelo governo dos Estados Unidos até o momento.

O programa também discutiu a possibilidade de o Brasil vir a integrar o Escudo das Américas em caso de eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em outubro. Segundo o correspondente internacional entrevistado, o senador já teria sinalizado interesse em aderir à iniciativa durante visita a Washington em maio, quando se reuniu com autoridades americanas, incluindo o próprio presidente Trump. O comentarista citou ainda que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, incluiu o Brasil como possível beneficiário de recursos do programa em documento orçamentário encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, embora a adesão formal do país à iniciativa dependa de decisões políticas futuras e de eventual mudança de governo.

O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim afirmou, segundo o programa, que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos poderia ser usada como pretexto para alguma ação americana em território brasileiro, avaliação que o correspondente do programa classificou como desproporcional diante do contexto internacional atual de combate ao narcotráfico e ao terrorismo transnacional.

Fonte: Jornal da Oeste (Revista Oeste)
Perguntas frequentes
O que é o Escudo das Américas?

É uma iniciativa de cooperação militar liderada pelos Estados Unidos com países latino-americanos para combate ao narcotráfico, que no caso da Colômbia passou a permitir a atuação de tropas americanas em conjunto com o exército colombiano no país.

Que autorização Trump assinou contra organizações como PCC e Comando Vermelho?

Um documento que permite a agências como FBI, CIA e DEA contratar empresas privadas para realizar operações cibernéticas contra organizações criminosas, incluindo ataques a dispositivos eletrônicos, após PCC e Comando Vermelho serem classificados como organizações terroristas pelos EUA.

Por que Dilma Rousseff foi citada como possível alvo de sanções americanas?

Segundo comentaristas do programa, sua aproximação com o Irã, incluindo reunião com o chefe do Banco Central iraniano no contexto do banco dos Brics, poderia futuramente resultar em sanções dos EUA, que acusam o Irã de financiar grupos terroristas — trata-se de uma hipótese levantada por analistas, não de uma medida oficial anunciada.

O Brasil pode aderir ao Escudo das Américas?

Segundo o correspondente entrevistado, essa possibilidade foi levantada em caso de eleição do senador Flávio Bolsonaro à Presidência em outubro, já que ele teria sinalizado interesse na iniciativa durante visita a Washington em maio, mas a adesão do Brasil não foi formalizada e depende de decisões políticas futuras.