O governo dos Estados Unidos intensificou nos últimos dias uma série de medidas de combate ao narcotráfico e a organizações classificadas por Washington como terroristas na América Latina, segundo cobertura do programa Jornal da Oeste. As ações incluem acordos de cooperação militar e de inteligência com Colômbia, Peru e Argentina, além da autorização para uso de empresas privadas em operações cibernéticas contra grupos criminosos.
A Colômbia formalizou sua entrada no chamado "Escudo das Américas", iniciativa que passa a permitir a atuação de tropas americanas em conjunto com o exército colombiano no combate ao narcotráfico no país. O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, viajou em seguida ao Panamá, onde afirmou, segundo o programa, que uma opção militar para depor o governo cubano segue sendo considerada pelos Estados Unidos.
No Peru, o governo da presidente Dina Boluarte firmou parceria com o FBI para cooperação no combate ao narcotráfico, incluindo compartilhamento de informações, tecnologia e treinamento com as autoridades peruanas. Já a Argentina anunciou, em conjunto com a embaixada americana em Buenos Aires, a realização de um fórum internacional sobre combate ao narcotráfico na próxima semana na capital argentina, com expectativa de participação de representantes de cerca de 100 países e entre 300 e 600 observadores, no que seria a maior edição do evento, realizado anualmente há quatro anos.
O presidente Donald Trump também assinou um documento que autoriza agências federais americanas, como FBI, CIA e DEA, a contratar empresas privadas para realizar operações cibernéticas contra organizações criminosas, incluindo ataques a dispositivos eletrônicos de suspeitos. A medida ocorre após o governo americano classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que, segundo analistas ouvidos pelo programa, amplia as possibilidades de investigação sobre essas facções por parte de agências dos Estados Unidos.
No mesmo período, a ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, voltou a ser tema de repercussão após divulgar um vídeo em homenagem a Fidel Castro, chamando o ex-líder cubano de "comandante" e descrevendo-o como referência de sua juventude política. A publicação foi seguida de agradecimento público por parte da embaixada de Cuba no Brasil. Rousseff também participou de uma reunião com o chefe do Banco Central do Irã, no contexto de tratativas para uma possível adesão iraniana ao banco dos Brics. Segundo comentaristas do programa, essa aproximação poderia, no futuro, colocar o nome de Rousseff na lista de possíveis sancionados pelos Estados Unidos, dado que o governo americano acusa o Irã de fornecer apoio logístico e financeiro a grupos classificados como terroristas — trata-se, no entanto, de uma hipótese levantada pelos analistas, não de uma medida efetivamente anunciada pelo governo dos Estados Unidos até o momento.
O programa também discutiu a possibilidade de o Brasil vir a integrar o Escudo das Américas em caso de eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em outubro. Segundo o correspondente internacional entrevistado, o senador já teria sinalizado interesse em aderir à iniciativa durante visita a Washington em maio, quando se reuniu com autoridades americanas, incluindo o próprio presidente Trump. O comentarista citou ainda que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, incluiu o Brasil como possível beneficiário de recursos do programa em documento orçamentário encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, embora a adesão formal do país à iniciativa dependa de decisões políticas futuras e de eventual mudança de governo.
O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim afirmou, segundo o programa, que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos poderia ser usada como pretexto para alguma ação americana em território brasileiro, avaliação que o correspondente do programa classificou como desproporcional diante do contexto internacional atual de combate ao narcotráfico e ao terrorismo transnacional.