A Guerra Civil Americana, travada entre 1861 e 1865, resultou em cerca de 620 mil mortos, número superior à soma de baixas americanas em todos os outros conflitos da história do país, segundo reconstrução histórica de um vídeo educativo sobre o tema. A origem do confronto remonta a décadas de disputas políticas sobre a expansão da escravidão para novos territórios que buscavam se tornar estados americanos.
No início do século XIX, cada novo território admitido como estado alterava o equilíbrio de votos no Congresso entre estados escravistas e estados livres. Em 1820, quando o Missouri solicitou adesão à União, o impasse político levou ao chamado Compromisso do Missouri, negociado pelo político Henry Clay: o Missouri entraria como estado escravista e o Maine como estado livre, com uma linha traçada no mapa determinando onde a escravidão poderia ou não se expandir no futuro.
O acordo conteve o conflito político por décadas, mas não resolveu as divergências estruturais entre as duas regiões do país. Segundo a análise, cerca de 84% da população sulista trabalhava na agricultura, com a economia baseada no algodão e no trabalho escravizado, enquanto o Norte se industrializava rapidamente, produzindo, segundo o vídeo, 32 vezes mais armas de fogo que o Sul às vésperas da guerra. As duas regiões também divergiam sobre política tarifária: o Norte defendia impostos altos sobre produtos estrangeiros para proteger sua indústria nascente, enquanto o Sul defendia tarifas baixas para facilitar a exportação de algodão e a importação de produtos europeus.
Em 1854, o Congresso aprovou uma lei permitindo que os próprios moradores de novos territórios decidissem, por votação local, se permitiriam ou não a escravidão. No território do Kansas, isso gerou fraudes eleitorais de ambos os lados e violência armada que ficou conhecida como "Kansas sangrento", episódio que já resultou em dezenas de mortes antes do início formal da guerra, incluindo ataques liderados pelo abolicionista radical John Brown.
A eleição presidencial de 1860 marcou o ponto de ruptura definitivo. Abraham Lincoln, candidato do recém-formado Partido Republicano, defendia impedir a expansão da escravidão para novos territórios, sem propor extingui-la onde já existia. Ainda assim, seu nome sequer constava nas cédulas eleitorais em diversos estados do Sul, e sua vitória, obtida sem nenhum voto sulista, foi interpretada por líderes regionais como o fim de sua influência política no governo federal. A Carolina do Sul foi o primeiro estado a declarar separação da União, em 20 de dezembro de 1860, seguida rapidamente por Mississippi, Flórida, Alabama, Geórgia, Louisiana e Texas, que formaram os Estados Confederados da América sob a presidência de Jefferson Davis.
O conflito armado começou oficialmente em 12 de abril de 1861, quando forças confederadas bombardearam o Forte Sumter, guarnição federal no porto de Charleston, na Carolina do Sul, após Lincoln anunciar o envio de suprimentos alimentares à fortaleza cercada. O bombardeio, que durou 34 horas, levou à adesão de mais quatro estados à Confederação, incluindo a Virgínia. Inicialmente, ambos os lados acreditavam em um conflito breve, expectativa desfeita já na Primeira Batalha de Bull Run, em julho de 1861, quando o exército da União sofreu derrota expressiva.
Em 1862, após a Batalha de Antietam, considerada o dia mais sangrento da história militar americana, com cerca de 22.700 baixas em um único dia, Lincoln anunciou a Proclamação de Emancipação, declarando livres as pessoas escravizadas nos estados em rebelião. A medida, além de seu impacto simbólico e humanitário, teve efeito estratégico ao dificultar qualquer apoio formal de potências europeias à Confederação. Cerca de 200 mil homens negros, muitos deles ex-escravizados, alistaram-se nas forças da União após a proclamação.
O ano de 1863 trouxe dois pontos de virada decisivos: a derrota confederada na Batalha de Gettysburg, na Pensilvânia, e a rendição da cidade de Vicksburg ao general Ulysses S. Grant, que garantiu à União o controle total do Rio Mississippi. Grant assumiu o comando geral das forças da União em 1864, adotando uma estratégia de pressão constante que resultou em baixas elevadas, mas culminou na rendição do general confederado Robert E. Lee em 9 de abril de 1865. Cinco dias depois, Abraham Lincoln foi assassinado pelo ator John Wilkes Booth durante uma apresentação teatral em Washington, morrendo na manhã seguinte, sem testemunhar plenamente o processo de reconstrução do país que sua liderança havia ajudado a preservar.