Sexta-feira, 14/08/2026
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Ilha de Man: o território britânico que não faz parte do Reino Unido

Governada por vikings, disputada entre escoceses e ingleses e comprada pela coroa britânica em 1765, a Ilha de Man tem parlamento próprio com mais de mil anos, imposto zero para empresas e não pertence oficialmente a nenhum país.

Ilha de Man: o território britânico que não faz parte do Reino Unido

A Ilha de Man, localizada no Mar da Irlanda entre a Grã-Bretanha e a Irlanda, ocupa uma posição jurídica pouco comum no cenário internacional: não é um país soberano, mas também não faz parte do Reino Unido nem da União Europeia. Segundo análise histórica do canal responsável pelo vídeo, essa condição resulta de um processo de séculos de disputas territoriais, ocupações e acordos comerciais que moldaram uma das formas de governo mais peculiares do planeta.

Habitada pela primeira vez há cerca de 10 mil anos, logo após o fim da última era glacial, a ilha recebeu sucessivas levas de povos ao longo da história: caçadores-coletores, agricultores da Idade do Bronze e do Ferro, celtas vindos principalmente da Irlanda, e, a partir do século IX, vikings escandinavos. Foi dos celtas que surgiu o idioma manês, língua celta ainda hoje associada à identidade local, e do cristianismo, chegado por volta dos séculos V e VI, vieram as primeiras capelas de pedra da ilha.

A posição central da ilha no Mar da Irlanda a tornou um ponto estratégico de navegação e comércio, além de uma base naval ideal para os vikings, que a transformaram no centro do chamado Reino de Man e das Ilhas, governado por reis de ascendência mista nórdica e gaélica. Dessa herança viking nasceu o Tinwald, parlamento da ilha, criado a partir da tradição nórdica de assembleias públicas ao ar livre, hoje considerado um dos parlamentos mais antigos do mundo em funcionamento contínuo, com mais de mil anos de história.

O domínio nórdico durou cerca de dois séculos, até que, em 1266, um acordo transferiu o controle da ilha da Noruega para a Escócia. Nos séculos seguintes, o território passou por disputas entre escoceses e ingleses, até cair sob controle inglês, que optou por delegar a administração a famílias nobres, como os Stanley e, posteriormente, os duques de Atholl, em vez de governar diretamente.

Sob o domínio dos Atholl, a baixa tributação da ilha em relação à Grã-Bretanha transformou o território em um centro de contrabando de chá, tabaco, rum e vinho, gerando prejuízo significativo aos cofres britânicos. Para resolver o problema, a coroa britânica comprou os direitos de governo sobre a ilha em 1765, por meio do chamado Ato do Revestimento, sem, no entanto, anexar formalmente o território ao Reino Unido. A decisão manteve o parlamento local em funcionamento e preservou a autonomia da ilha sobre seus assuntos internos, evitando o custo político e administrativo de integrá-la completamente.

Atualmente, a Ilha de Man é classificada como uma dependência da coroa britânica, com governo próprio, parlamento formado por câmara eleita e conselho legislativo, e um chefe de governo equivalente a um primeiro-ministro. O chefe de Estado é o monarca britânico, atualmente o rei Charles III, que na ilha recebe o título histórico de Lord de Man, exercendo função majoritariamente cerimonial por meio de um representante local. A ilha não integra o Reino Unido nem a União Europeia, mas depende do governo britânico para questões de defesa e relações internacionais, o que a impede de ser considerada um país plenamente soberano.

Com cerca de 85 mil habitantes concentrados majoritariamente na capital Douglas, a Ilha de Man construiu uma das economias mais ricas do mundo em renda por habitante, sustentada por um regime tributário favorável a empresas: imposto zero sobre lucro para a maioria das companhias, ausência de tributação sobre herança e ganhos de capital, e alíquotas baixas para pessoas físicas. Esse modelo atraiu seguradoras, empresas de tecnologia e um expressivo setor de jogos online, além de posicionar a ilha como destaque em turismo de aventura, com a tradicional corrida de motos TT da Ilha de Man, disputada em estradas públicas desde 1907 e considerada uma das competições mais perigosas do automobilismo mundial.

Fonte: Canal de curiosidades geográficas e históricas
Perguntas frequentes
A Ilha de Man faz parte do Reino Unido?

Não. É classificada como uma dependência da coroa britânica, com governo, parlamento e leis próprias, mas não integra oficialmente o Reino Unido nem a União Europeia, embora dependa do governo britânico para defesa e relações internacionais.

O que é o Tinwald?

É o parlamento da Ilha de Man, criado a partir da tradição viking de assembleias públicas ao ar livre chamadas 'things'. É considerado um dos parlamentos mais antigos do mundo em funcionamento contínuo, com mais de mil anos de história.

Por que a Grã-Bretanha comprou a Ilha de Man em 1765?

Porque a baixa tributação da ilha, então sob domínio dos duques de Atholl, havia transformado o território em um centro de contrabando de chá, tabaco, rum e vinho para a Inglaterra e a Irlanda, gerando grande prejuízo fiscal à coroa britânica.

Por que a Ilha de Man é considerada rica apesar de pequena?

Por seu regime tributário favorável a empresas, com imposto zero sobre lucro para a maioria das companhias e ausência de tributação sobre herança e ganhos de capital, o que atraiu seguradoras, empresas de tecnologia e o setor de jogos online.